EU TÔ INDO EMBORA. TODO MINUTO.

Na verdade mesmo. Eu tenho uma doença. Uma doença na mente.
Não é algo que eu quis. Não é algo que escolhi ou manipulei, e na realidade eu nem sei como eu vim parar aqui.
Estranho que eu sempre achei tudo isso besteira.
Tá me desculpa. Eu era um desses.
Eu era até que eu me vi nessa situação de ter que lutar contra mim mesmo.
Pois é.
Borderline.
E a sua? Qual é?
Não. Não é um autodiagnostico.
É algo acompanhado por profissionais.
Por pessoas que estudaram pra isso.
É algo mais real do que eu queria.
Eu nunca tinha ouvido falar sobre isso.
Engraçado que eu sempre gostei de estudar essas coisas. De ouvir as pessoas. De tentar entender.
Mas quando é com a gente é diferente né?
Mas tá tudo bem me disseram… você só precisa se controlar.
Realmente. Eu preciso. Eu preciso me controlar.
Todo dia.
Se eu não quiser machucar as pessoas que eu gosto… machucar com a minha ausência pra sempre… eu preciso mesmo me controlar.
E sabe. Tá tudo bem. A minha família. Todos estão bem. E eu juro que eu sou grato por isso.
Muito.
Mas até saber disso. Saber que tá tudo bem as vezes é difícil. Minha mente me engana.
Eu sou um escritor. Mas eu nem sei mais o que eu tô fazendo.
As vezes eu nunca sei.
Mas isso é bom. Quase nunca. Mas é.
Sei que você também tem seus monstros.
Sei que você tá lutando todo dia contra isso.
Parece que é só isso né.
Lutar todo dia.
E cansa.
Levar o inferno dentro da mente, querer se desfazer dele e entender que não.
Essa opção não existe. Cansa.
Aí eu sumo.
Pra sobreviver.
As vezes eu só quero ser importante pra alguém entende? Mas brigar por isso faz com que muitas vezes eu perca todo mundo, e apesar de muita coisa que eu faço ser por isso, quase sempre não tem ligação com sexo, dinheiro, coisas materiais. É tudo ligado ao emocional. Eu sou um viciado nas emoções fortes. Naquilo que me prova que é real.
E A todo tempo eu tô procurando por isso.
Ser real.
As vezes parece que não sou.
Real pra ninguém.
Eu só quero ter certeza que não vão me abandonar. Que não vão embora da minha vida ou que eu tenho alguém que se preocupa comigo.
Eu sei é besteira. Mas eu sou assim. E ser assim dói.
Faz a gente fazer coisas exageradas só pra ter alguém do lado. Só pra ser aceito. Pra não ser esquecido.
O tempo inteiro eu tô lutando. Lutando contra paranoias. Contra mim. Contra a morte.
Todo minuto. Eu luto pra ficar aqui. E a todo tempo eu tenho pensamento “errados” na cabeça.
É a minha mãe que sem saber, me salva todo santo dia. Só por existir.
Sabe.
Não sou pessimista.
Tem muita coisa boa aqui.
Eu sou o melhor amigo que qualquer pessoa nesse mundo poderia ter. Mas as vezes meus próprios amigos não sabem disso.
Eu sou a Pessoa mais confiável que eu já conheci nesse mundo.
Eu consigo entender as dores alheias. Só de olhar o olhar de alguém.
Uma empatia que me assusta.
Eu sei das coisas.
Sei das pessoas. E aí eu escrevo.
Quando tô feliz. A minha felicidade é grande. Maior que o normal.
Eu não minto pras pessoas que amo.
Quando eu gosto. EU gosto mais que tudo no mundo.
Quando eu sou. Eu sou, sem mentiras. Sem traições.
E quando eu sinto. Eu sinto de verdade. Sinto mais que o necessário. Como se meu controle estivesse falho.
Sinto a mais.
É aí que eu me perco.
Sempre.
Mas nada disso faz diferença.
Parece que tem um pedaço faltando no meu peito.
Um vazio mesmo. Um vazio que grita todo dia.
Sério.
Não importa o que eu to fazendo.
Tem um vazio ali no meu peito.
Um remorso. Um luto. Uma dor.
E isso piora quando eu reparo em mim mesmo.
Mas não Pense que Deus me deixou.
Não.
Nesse momento mesmo ele tá comigo. Aqui
Sendo contra meus pensamentos sombrios.
Contra decisões que me levariam ao fim.
Ele tá aqui.
Ele sempre tá.
E ainda se eu não for ambicioso ou egoísta demais, ele sempre dá o que eu peço.
Sempre.
Mas acho que não pode me curar disso.
Como se eu precisasse ser exatamente assim pra cumprir uma história que só poderia ser escrita por alguém que é dessa forma.
Mas ele me ama. Eu amo ele.
Ele é meu amigo. alguém que eu não preciso desconfiar.
Eu não quero fazer desse texto algo triste, então eu não vou falar muito da parte ruim.
Da parte que eu sei que um dia vai me levar embora.
Eu só quero desabafar.
Hoje.
Porque eu tô sentindo que não tenho ninguém.
Nem a mim mesmo.
E isso é mentira.
Conscientemente eu sei.
Mas não é só de consciência que se vive as minhas emoções.
Antes fosse.
Eu tô indo embora.
Devagar.
E eu ainda tô brigando. Comigo. Com minha família. Com meus amigos.
Me desculpem.
Eu só quero me sentir real.
Sentir que sou real.
Importante pra alguém.
Mas eu prometo.
É só por enquanto.
Só por um tempo.
Eu sou uma pessoa difícil sim.
Mas meu amor exagerado é real.
Mesmo que isso pareça doença.
É real.
Minha lealdade é real.
Minha amizade.
Minha companhia.
E Eu não quero nada em troca além do que você é.
Sua pessoa. Sem mentiras. Sem jogos.
Só isso.
Me perdoe.
Isso é só por enquanto.
Prometo.
Agora eu vou sair.
Beber um pouco.
Conversar.
Tentar me sentir real.
Quanto a você.
Bem…
Se precisar conversar. Eu sei te ouvir.
Se quiser um amigo. Eu sei ser.
Se precisar se sentir importante. Eu posso te provar que você é.
Então… Eu tô aqui.
Mesmo que em fragmentos.
Eu vou fazer o melhor que puder pra ser alguém se você precisar.
Mesmo que eu não me sinta assim. Alguém. Real.
Importante.

– Alax Jr.

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE – 10 %

Uma alegria contagiante pode se transformar em tristeza profunda em um piscar de olhos porque alguém “pisou na bola”. O amor intenso vira ódio profundo, porque a atitude foi interpretada como traição; o sentimento sai de controle e se traduz em gritos, palavrões e até socos. E, então, bate uma culpa enorme e o medo de ser abandonado, como sempre. Dá vontade de se cortar, de beber e até de morrer, porque a dor, o vazio e a raiva de si mesmo são insuportáveis. As emoções e comportamentos exaltados podem dar uma ideia do que vive alguém com transtorno de personalidade borderline (ou “limítrofe”).

Reconhecido com o um dos transtornos mais lesivos, leva a episódios de automutilação, abuso de substâncias e agressões físicas. Além disso, cerca de 10% dos pacientes cometem suicídio. Além da montanha-russa emocional e da dificuldade em controlar os impulsos, o borderline tende a enxergar a si mesmo e aos outros na base do “tudo ou nada”, o que torna as relações familiares, amorosas, de amizade e até mesmo a com o médico ou terapeuta extremamente desgastantes.

Muitos comportamentos do “border” (apelido usado pelos especialistas) lembram os de um jovem rebelde sem tolerância à frustração. Mas, enquanto um adolescente problemático pode melhorar com o tempo ou depois de uma boa terapia, o adulto com o transtorno parece alguém cujo lado afetivo não amadurece nunca.

Ainda que seja inteligente, talentoso e brilhante no que faz, reage como uma criança ao se relacionar com os outros e com as próprias emoções –o que os psicanalistas chamam de “ego imaturo”. Em muitos casos, o transtorno fica camuflado entre outros, como o bipolar, a depressão e o uso abusivo de álcool, remédios e drogas ilícitas.

O que é o borderline?

Reações explosivas fazem parte do cotidiano de um borderline

De forma resumida, um transtorno de personalidade pode ser descrito como um jeito de ser, de sentir, se perceber e se relacionar com os outros que foge do padrão considerado “normal” ou saudável. Ou seja, causa sofrimento para a própria pessoa e/ou para os outros. Enquadrar um indivíduo em uma categoria não é fácil –cada pessoa é um universo, com características próprias.

Os transtornos de personalidade costumam ser divididos em três principais grupos, ou espectros. Segundo essa classificação, o borderline está no espectro B, que reúne aqueles sujeitos que costumam ser chamados de “complicados”, “difíceis”, “dramáticos” ou “imprevisíveis”.

Nesse grupo B estão, ainda, os narcisistas, os histriônicos e os antissociais. No grupo A estão os esquizoides, os esquizotípicos e os paranoides, muitas vezes taxados de “frios”, “esquisitões” ou “com mania de perseguição”. E no C estão os evitativos, os dependentes e os obsessivo-compulsivos (não confundir com o transtorno psiquiátrico), também vistos como “medrosos ou ansiosos”, “frágeis” ou “certinhos demais”, respectivamente.

O termo “borderline”, que em inglês significa “fronteiriço”, teve origem na psicanálise: esses pacientes não podiam ser classificados como neuróticos (ansiosos e exagerados),nem como psicóticos (que enxergam a realidade de forma distorcida), mas estariam em um estado intermediário entre esses dois espectros. O primeiro autor a usar o termo foi o psicanalista norte-americano Adolph Stern, em 1938, que descreveu o transtorno como um tipo de “hemorragia psíquica” diante das frustrações.

É comum?

Não há estatísticas sobre a prevalência do transtorno no Brasil. Na população mundial, é estimada em 2%, embora estudos mostrem que a proporção pode chegar a 5,9% –é que boa parte dos casos deve ficar sem diagnóstico adequado. Nos ambulatórios de psiquiatria, representa em torno de 20% dos pacientes. De 8 a 10% dos indivíduos com esse tipo de transtorno cometem suicídio, segundo a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

O diagnóstico é bem mais frequente entre as mulheres, mas estudos sugerem que a incidência seja igual em ambos os sexos. O que acontece é que elas tendem a pedir mais socorro, enquanto os homens são mais propensos a se meter em encrencas, ir para a cadeira ou até morrer mais precocemente por causa de comportamentos de risco. Quase sempre o transtorno é identificado em adultos jovens e os sintomas tendem a se tornar atenuados com o passar da idade.

Sintomas do borderline

Veja, a seguir, as principais características, também consideradas critérios de diagnóstico para o transtorno, e como eles se traduzem no dia a dia de um borderline:

  • Esforços desesperados para evitar o abandono (real ou imaginado): não é preciso dizer que o fim de um namoro ou casamento pode deflagrar uma crise. Mas mesmo situações corriqueiras, como o atraso do terapeuta ou o cancelamento de um encontro, podem ser interpretadas como sinal de rejeição.
  • Padrão de relacionamentos instáveis e intensos, caracterizados pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização: é o típico “tudo ou nada”, “amo ou odeio”. O outro tem que ser perfeito e se errar, passa a ser depreciado. Assim, ao desmarcar uma consulta, o “melhor psiquiatra do mundo” se transforma em “lixo” e a mãe, que foi sempre um porto seguro, deixa de ser procurada, porque não atendeu a um capricho, só para citar alguns exemplos. Também é comum o “border” ficar íntimo rapidamente de alguém, alimentar um monte de expectativas e, logo depois, cair em frustração.
  • Perturbação da identidade ou instabilidade acentuada e persistente da autoimagem ou da percepção de si mesmo: a interpretação dos atos dos outros modela a imagem que o borderline constrói para si. “Ele não quis transar, porque devo ser feia”; “Tenho ‘dedo podre’ para relacionamentos”; “As pessoas se afastam de mim porque eu sou mau”… É frequente a pessoa se sentir um estrangeiro sem lugar no mundo. E a saída pode ser virar camaleão para tentar se adaptar a alguém ou à turma idealizada naquele momento: o borderline pode trocar de crenças, valores, carreira e até visual em curtos espaços de tempo.
  • Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente autodestrutivas: para aplacar as sensações de vazio ou de rejeição, é comum recorrer a comportamentos que trazem alívio imediato. Eles podem se traduzir em compras compulsivas, abuso de álcool ou drogas, comportamentos sexuais de risco, direção perigosa, compulsão alimentar ou dietas restritivas demais. Os próprios relacionamentos (ou a sensação de ser amado e aceito que eles proporcionam) podem ser um vício, aliás.
  • Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante: uma maneira de extravasar esse turbilhão emocional é se machucar, cortar, furar ou queimar o próprio corpo. Ameaças de suicídio são frequentes e podem até ser feitas da boca para fora, mas o sofrimento, às vezes, é tanto que a ideia de acabar com a própria vida é concretizada, com o objetivo de “parar de sentir”. Ao contrário das pessoas que planejam a própria morte e até deixam bilhete, é mais provável que no borderline a decisão seja tomada de impulso.
  • Instabilidade afetiva devida a uma acentuada reatividade do humor: em português claro, o borderline é como uma montanha-russa e a pessoa pode ir do céu ao inferno em algumas horas. Momentos de prazer e alegria podem dar lugar a sintomas depressivos ou ansiosos num mesmo dia. E a paixão intensa pode virar indiferença ou desprezo em uma semana.
  • Sentimentos crônicos de vazio: é comum estar sempre em busca de “algo direfente” para fazer na tentativa de aliviar o tédio e isso pode ser perigoso. O vazio existencial também pode ser manifestado como desinteresse ou falta de propósito e não é incomum a pessoa largar cursos, empregos e relacionamentos.
  • Raiva intensa e inapropriada ou dificuldade em controlá-la: a pessoa se irrita com muita facilidade, com reações desproporcionais ao estímulo, por isso é bem comum se envolver em agressões físicas com o parceiro amoroso, a mãe, o filho ou até um desconhecido. Depois, em geral, vem a culpa esmagadora, que só reforça a autoimagem negativa.
  • Ideação paranoide ou sintomas dissociativos transitórios: em situações de estresse intenso, pode acontecer de a pessoa achar que é alvo de conspirações (paranoia), ou então sair de si, perdendo contato com a realidade (distúrbio dissociativo). Mas esses sintomas são transitórios, diferente do observado em transtornos como a esquizofrenia, por exemplo.

Como é feito o diagnóstico?

Não existem exames de sangue ou de imagem que permitam o diagnóstico. O indivíduo deve ser avaliado por um profissional de saúde mental qualificado, que irá analisar seu histórico e sintomas. É importante saber diferenciar o borderline de outras condições, como transtornos mentais, efeitos de drogas ou mesmo problemas de identidade, comuns na adolescência. Nos pacientes mais jovens, a recomendação é que o diagnóstico só seja fechado após um ano com sintomas estáveis.

Comorbidades: duas condições ao mesmo tempo

Transtornos de personalidade são diferentes de transtornos mentais (como depressão, ansiedade, transtorno bipolar, psicose etc), embora seja difícil para leigos e desafiante até para especialistas fazer essa distinção, já que sobreposições ou comorbidades (existência de duas ou mais condições ao mesmo tempo) são muito frequentes. Não é raro que o borderline desenvolva transtorno bipolar, depressão, transtornos alimentares (em especial a bulimia), estresse pós-traumático, deficit de atenção/hiperatividade e transtorno por abuso de substâncias, entre outros.

Borderline ou transtorno bipolar?

Esses dois transtornos podem se sobrepor, mas não é raro que um seja confundido com o outro. Os sintomas do bipolar costumam aparecer em fases: o paciente tem um episódio de depressão grave ou de mania (marcado por euforia, sentimentos de grandeza e comportamentos impulsivos). Há até o chamado “estado misto”, mas cada episódio costuma durar algumas semanas.

Já no borderline, as oscilações de humor são muito mais rápidas, como estados flutuantes. Se o bipolar pode ter alguns períodos de relativa estabilidade, no borderline as questões relativas à autoimagem e aos relacionamentos, bem as outras características, estão sempre presentes. É importante que o psiquiatra saiba distinguir os transtornos, pois os antidepressivos, que ajudam a aliviar os sintomas do borderline, podem deflagrar um episódio grave de mania no bipolar, de consequências desastrosas.

Causas do borderline

Assim como ocorre com outros transtornos de personalidade, não existe uma causa única para o borderline. Os especialistas falam mais em fatores de risco, ou seja, condições que aumentam a vulnerabilidade, mas nem sempre são determinantes para o surgimento do quadro. São eles:

  • Familiar: o transtorno é cerca de cinco vezes mais comum em parentes biológicos de primeiro grau de pessoas que sofrem com o transtorno. Também existe um risco familiar conhecido para abuso de substâncias e outras doenças mentais
  • Fisiológico: certas alterações cerebrais estão associadas a falhas no controle dos impulsos e alterações de humor
  • Ambiental: abuso físico ou sexual, negligência, conflitos e morte prematura de parentes próximos são comuns quando se analisa a infância de indivíduos com transtornos de personalidade. O uso de substâncias, como álcool e drogas, pode exacerbar os sintomas em quem já tem traços fora da média. Lesões cerebrais também podem aumentar a predisposição.

Jovens adultos sofrem mais

O paciente borderline sofre os períodos de instabilidade mais intensos no início da vida adulta. Há situações de crise, ou maior descontrole, que podem até resultar em internações porque o paciente coloca sua própria vida ou a dos outros em risco. Por volta dos 40 ou 50 anos, a maioria dos “borders” melhora bastante, probabilidade que aumenta se o paciente se engaja no tratamento.

Tratamento

Se uma pessoa com transtorno bipolar está num episódio de depressão ou de hipomania (alteração de humor), ela vai voltar ao estado normal com o tratamento adequado. Já em um transtorno de personalidade, os sintomas estão mais arraigados, digamos assim.

A personalidade envolve não só aspectos herdados, mas também aprendidos, por isso a melhora é possível, ainda que seja difícil de acreditar no início. Se a psicoterapia é importante para ajudar o bipolar a identificar uma virada e evitar perdas, no transtorno de personalidade ela é o carro-chefe do tratamento.

Medicamentos ajudam a aliviar os sintomas depressivos, a agressividade e o perfeccionismo exagerado, e são ainda mais importantes quando existe um transtorno mental associado. Os fármacos mais utilizados são os antidepressivos (flluoxetina, escitalopram, venlafaxina etc), os estabilizadores de humor (lítio, lamotrigina, ácido valproico etc), os antipsicóticos (olanzapina, risperidona, quietiapina etc) e, em situações pontuais, sedativos ou remédios para dormir (clonazepan, diazepan, alprazolan etc). Esses últimos costumam ser até solicitados pelos pacientes, mas devem ser evitados ao máximo, porque podem afrouxar o controle dos impulsos, assim como o álcool, além de causarem dependência.

Nas crises, o paciente deve contar com uma equipe multidisciplinar, montada de acordo com cada caso e eventuais comorbidades. Ela pode incluir, além do terapeuta individual e/ou do psiquiatra, profissionais como acompanhante terapêutico, enfermeiro e até nutricionista.

Tipos de terapia recomendadas para o tratamento de borderline

Conheça algumas terapias que trazem resultados para esse tipo de transtorno, segundo os especialistas consultados e a literatura científica:

  • Terapia focada em transferência: é um tipo de terapia psicodinâmica (de inspiração psicanalítica, que leva em conta a existência do inconsciente). Paciente e terapeuta conversam sobre tudo: acontecimentos recentes, antigos, a infância, os sonhos..tudo é assunto para estimular a fala e a reflexão. A automutilação é entendida como uma forma de usar o corpo para comunicar o sofrimento, por isso nomear os sentimentos é importante. Identificar os comportamentos destrutivos como uma forma de autoboicote é outro objetivo. O ideal é que as sessões ocorram duas ou três vezes por semana. Um modelo adaptado desse tipo de terapia é adotado em instituições como o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP para pacientes borderline.
  • Terapia cognitivo-comportamental: a ideia é tomar consciência das sensações e padrões de pensamentos que estão por trás de comportamentos destrutivos, além de desenvolver estratégias para evitá-los. A terapia é mais prática, e envolve até lições de casa, com preenchimento de diários e treino de habilidades. De acordo com os especialistas, pode ser útil para o controle de certas comorbidades comuns entre os pacientes borderline, como transtornos alimentares ou uso de drogas.
  • Terapia comportamental dialética: desenvolvida especificamente para pacientes internados por automutilação ou suicídio, nos anos de 1980, hoje é considerado o tratamento para borderline que reúne melhores evidências científicas, segundo a Associação Americana de Psiquiatria e o grupo de revisões Cochrane. Inclui terapia individual (focada nos comportamentos autodestrutivos), acompanhamento por telefone e aulas em grupo para treino de habilidades, como atenção plena, regulação de emoções, tolerância ao estresse e assertividade nas relações (como dizer “não” sem ofender, por exemplo). O termo filosófico se refere, entre outros aspectos, à consciência de que, ao ser orientado para mudar, o paciente reage com a força dialética oposta, de querer ser aceito como é. A criadora da terapia, a americana Marsha Linehan, partiu do princípio, de inspiração zen, de que é preciso observar e aceitar, para, então, mudar. Ainda há poucos profissionais com a formação no Brasil, mas o número está em expansão.
  • Terapia familiar ou de casal: o foco principal é resolver conflitos no relacionamento que podem agravar os sintomas do borderline, melhorar a comunicação e ajudar os parentes ou o parceiro (a) a compreender melhor o transtorno, para melhorar o suporte ao paciente.

Autoboicote

Embora este não seja um critério diagnóstico, é comum o borderline sabotar a si próprio. Por exemplo, ele abandona a faculdade a poucos meses de se formar, termina o namoro que parecia ter finalmente emplacado, e, claro, abandona o tratamento que podia dar certo. O próprio rótulo de borderline pode ser usado como um limitador. Os casos mais graves envolvem medicação pesada, pelo menos nas fases mais críticas, e os efeitos colaterais são outra razão para fugir do psiquiatra.

Fazer o paciente se engajar no tratamento é um dos maiores desafios dos profissionais de saúde que tratam o borderline, uma vez que a culpa pelo sofrimento é atribuída aos outros. É comum o psiquiatra ou psicólogo ter de ir atrás ou pedir ajuda dos familiares para trazer o borderline de volta às consultas ou sessões. Isso quando o próprio profissional não acaba desistindo, porque o paciente falta sem avisar ou é extremamente agressivo.

Borderline tem cura?

Ainda que o tratamento faça a diferença, não dá para dizer que o transtorno borderline vai desaparecer da vida do paciente, como uma infecção resistente que finalmente é controlada com o antibiótico certo. Se isso acontecer, é provável que o indivíduo não era borderline. Os especialistas preferem falar em “pequenas curas que se somam”: as relações ficam mais estáveis, a tolerância à frustração aumenta, a capacidade de reflexão se expande e controlar certos impulsos torna-se possível. A vida fica produtiva e satisfatória.

Como ajudar alguém com o transtorno?

Incentivar a pessoa a buscar ajuda nem sempre é fácil e, muitas vezes, a família precisa levar o borderline às sessões e participar da terapia, para saber administrar os conflitos. É importante que os familiares e amigos saibam que o tratamento funciona, ainda que leve tempo. E o apoio deles é fundamental durante o processo. Ao sair da crise, estabelecer um trabalho ou atividade também colaboram para a socialização e autoestima do borderline.

O que fazer em uma crise de borderline?

Algumas crises podem ser contornadas em casa, com remédios e atendimento extra por parte do terapeuta, quando já existe um profissional ou equipe que cuida do borderline. Ter o telefone ou e-mail dessas pessoas é fundamental para saber o que fazer em uma emergência. Já se o paciente não está em tratamento, deve ser levado ao pronto-socorro ou a um ambulatório de psiquiatria. Se houver risco de vida ao paciente ou a outras pessoas, a internação pode ser necessária. Manter a calma e já ter um roteiro discutido com a equipe ajuda muito nesses casos.

PROTEJAM SEUS FILHOS

Defendam seus filhos e quando for necessário uma correção, façam isso a sós.
Protejam, passem segurança e mostre a eles que existem pessoas das quais eles podem confiar e se sentirem seguros.
A autoconfiança deles e a autoestima depende muito disso. De se sentirem seguros em relação aos pais e conseqüentemente, se sentirem fortes em relação ao mundo.
A infância é a base para que a criança se torne um adulto saudável, estável e seguro de si. E isso depende muito de como os pais lidam com as situações que a vida pode oferecer. O que é algo banal para um adulto pode ser algo grandioso e de tamanha importância para a formação da personalidade de uma criança. E “erros” cometidos pelos pais que parecem irrelevantes podem desencadear muitas coisas que moldam o comportamento desses “pequenos” para sempre.
Um exemplo é o complexo de inferioridade que pode ter “sua semente plantada por:

Pais que, principalmente na frente de outras pessoas envergonham os seus filhos.
Pais que denigrem a criança, que a coloca pra baixo em relação a todos e ao mundo.
Que rebaixam seus filhos os comparando a outras pessoas/crianças.
Que não os protegem ou os defendem quando estão passando por situações das quais esperam o suporte e apoio dos mesmos.

Esses atos colaboram muito pra que essa criança se torne um adulto inseguro, mentalmente instável e com um grande sentimento de inferioridade para com todos.
É óbvio. Os filhos precisam aprender os limites. Precisam entender que não são os “donos do mundo” e que de tudo se tem uma consequência.
Mas também precisam se sentirem protegidos. Apoiados e terem fé de que são importantes para alguém.
Alguns comportamentos de pais e outros podem demosntrar o completo oposto, fazendo com que a autoestima da criança se torne cada vez mais fraca e com que ela se sinta incapaz de realizar qualquer coisa.
Então repito. Sim. Corrijam seus filhos de formas saudáveis. E façam isso a sós. Uma relação de pais pra filhos E vice versa. Mas jamais se esqueçam de mostrar a importância de cada um deles e de mostrar que eles tem o apoio e a segurança de pessoas que os amam. Dessa forma poderão crescer de uma forma tranquila enquanto desenvolvem num contexto saudável a confiança em si mesmos e em suas capacidades.
A infância é a base de toda uma vida.
De nada adianta reconstruir e deixar mais forte “um prédio,” se a base estiver mal formada. A base é a parte que mais importa. Dela depende a segurança e estabilidade. Seja do que for.

Alax Junior.

VENHAM A MIM OS VULNERÁVEIS.

Eu não queria te ter nas mãos sabe… Isso é ruim pra mim porque eu não sei o que fazer com isso. Com você… Antes eu sabia.
Quero dizer, quando eu não te tinha, eu sabia o que precisava ser feito. Eu sentia que tinha algo pra mim nesse labirinto que escondia tua alma. Talvez tua própria alma.
Era como se minha missão ou a graça de tudo isso fosse te transformar em algo meu, mas agora você já não me causa curiosidade alguma.
Eu desvendei os teus mistérios e te virei do avesso procurando por algo que ainda me fizesse querer ficar. Mas não. Não há mais jogo nenhum a ser jogado. Acabou.
Eu sei. Eu tinha prometido a mim mesmo que iria parar. Que nunca mais iria me esquecer que as pessoas não são objetos. Mas é sempre tarde demais e eu não consigo entende? Eu não percebo quando tudo isso começa.
Na verdade eu só percebo quando eu quero que tudo se acabe.
É…
Talvez eu mereça algum castigo, porém não irei me julgar mais por isso. Eu não sou o juiz.
Vou deixar a vida decidir o que eu devo receber de volta. Aliás. Foi ela quem me fez assim, não foi?
Bem… Quanto a você, eu não irei me desculpar, e ainda digo que é você quem lhe deve desculpas já que assistiu ao espetáculo sem se atentar a olhar para detrás da cortina. Era lá onde eu estive esse tempo todo.
Mas desejo que supere toda a falta e vazio que irei lhe causar. Eu estou te deixando.
Quanto ao resto. Aos que me ouvem ou não, eu só quero dizer uma coisa:
“Venham a mim…
Venham a mim os vulneráveis.
Todos eles.
Eu tenho algo pra vocês… Ou não.”

– Alax Jr.

ENFRENTE E VÁ EM FRENTE.

Não tenha medo de perder alguém que não se sente feliz por ter você.

Não tenha medo de deixar pra trás lugares que não te trazem paz.

Pare de acreditar que a tua obrigação é com o mundo.
Se você deve algo a alguém esse alguém é si mesmo. O único que pode começar a mudar tua vida de verdade.
Cuidado com quem você gasta seu tempo e tua melhor parte. E muito cuidado pra não aprender tudo isso tarde demais.
O que você tá fazendo pra melhorar tua vida?
O que você tem feito realmente por você?
Precisamos parar de confundir as coisas e Sim, precisamos nos tornarmos melhores, mas antes é preciso entender que ser melhor não é ser tolo, ser bom não é o mesmo que ser bobo, viver não é o mesmo que esperar enquanto a vida passa e te esquece.
Você tem sonhos. Você deseja coisas e experiências, mas o que você faz pra que tudo isso se torne “realizável”?
O que está fazendo agora pra que tua vida seja a vida que você quer?
Pare de esperar que os outros decidam por você. Pare de esperar as condições do mundo pra que você comece a caminhar.
Nada vai melhorar se você continuar aí. Esperando uma intervenção divina como mágica chegar e mudar tudo pra melhor.
Não é assim que as coisas funcionam. Pra se chegar lá em cima da sua montanha você precisa escalar, e isso só é possível se você deixar para trás o que te segura no fundo.
Chega de carregar fardos desnecessários. fardos que não são teus. Esse deve ser o momento que você escolhe fazer algo por si mesmo.
O tempo é traiçoeiro. Ela vai em silêncio se alimentando da própria vida. Você não vai estar aqui pra sempre e a qualquer momento você pode deixar de existir.
Então analisa sobre como você gasta seu tempo e tua melhor parte, porque até isso é limitado.
Levanta e caminha e pare de esperar por uma estrada pronta pra você seguir.
O caminho se faz e começa com o primeiro passo e continua com o próprio ato de caminhar em frente.
Esse é o sentido da vida, em frente, desde que em frente seja a estrada que te faz bem e que te faz amadurecer e ser melhor acima de tudo para tua própria existência.

Enfrente e vá em frente.

-Alax Jr.

NÓS, OS LOUCOS.

Nós somos reis. Depois mendigos.
Nós somos anjos, depois caidos.
Somos a dor que abraça a paz,
Mas tanto aperta que se desfaz.

Nós somos luz e escuridão.
Somos pureza e perdição.
Somos caminho e a exaustão.
Já fomos livres. Hoje prisão.

Somos um grito de alegria,
Que nos confunde e arrepia.
Logo depois nem se ouve mais.
Como um silêncio que finge paz.

Somos a vida, somos a morte.
Somos azar, trazemos sorte.
Somos o muito, a compulsão.
Somos as asas, a possessão.

Somos o mundo, a correnteza
Nós somos muitos, mas incertezas.
Somos imensos e até sombrios,
Que cabe tanto que ainda é vazio.

Só temos medo da nossa mente,
Que vive tudo, que tudo sente.
Nos traz sorrisos, é fria e quente.
Somos navalhas que corta e fere.

Somos a água que invade tudo.
Temos mil formas, o conteúdo.
Somos crianças e o instrutor.
Somos reais, depois um ator.

Somos o choro. A resilência.
Mil personagens. A resistência.
Felicidade, a sapiência,
Até que então, somos ausência.

– Alax Jr.

SEJA O lOBO

Talvez logo você se pegue se perguntando porque não consegue me encontrar em nenhum lugar. Mas eu te avisei. De várias maneiras eu te avisei. E você sentia isso, todos os dias.
Eu fui lutar a última batalha. Aquela mais importante que define todo o resto. Que define quem eu serei ou quem eu sempre fui, mas que tentei evitar com uma sanidade bagunçada.
Mas não. Nada disso seria o bastante. Eu tentei me distrair, mas eu precisava de muito mais além de me embriagar por aí. De muito mais além de tentar perder o foco.
Ele permaneceu. Ele sobreviveu todo esse tempo escondido em minha mente. E agora está mais forte do que nunca. Forte e sedento. Sedento e rápido.
Existe algo em mim. Uma escuridão que se amontoa e olha pela janela. Algo perigoso lá no fundo. Crescendo e se alimentando enquanto o outro lado definha e se perde olhando e aceitando o mundo. E eu acho que tentei. Você sabe… Você viu parte da minha alma. Eu tentei por todo esse tempo, mas ele é minha última e única chance de sobreviver aqui.
Ao menos eu poderei me despedir.
Me despedir antes que ele me devore.
Eu sei que ele quer o melhor pra “nós”, que é meu maior instinto de proteção e também de ambição. Ele quer o mundo, e por saber disso, talvez eu não dê o meu melhor nessa luta. Afinal o lobo vence a ovelha não é? E isso coloca em risco a minha parte “boa”. A parte que você conhece. A parte que sente reciprocidade e que também me torna fraco todos os dias.
Pode ser que se eu tivesse o colocado no papel eu tivesse me libertado dele, o tivesse deixado em silêncio e menos feroz, mas eu não quis. Nunca.
Talvez… talvez eu o deseje. Talvez eu queira me entregar. Passar o controle. Dar o meu lugar.
De qualquer forma. Faz parte de mim. Ele também sou eu. E se eu perder ainda assim eu ganho.
Aliás eu preciso lhe confessar uma mentira enquanto ainda posso. Isso não é uma batalha. Não. Nao é.
É a rendição de um.
É a coroação do outro. Então se eu puder te pedir uma última coisa, eu te peço que não espere nada de mim.
Não acredite em tudo o que eu disser. Ele sabe exatamente como te enganar. Ele tem as palavras.
Ela sabe… Ele… Já não me permite dizer mais nada.
Então… Enfim.
Como um outro escreveu :
A única alegria do rebanho é quando o lobo come a ovelha do lado.
Isso é pouco. Ser mais uma ovelha desse imenso rebanho é pouco. Então que eu seja o lobo.
Finalmente.

PS: Eu irei sentir sua falta todos os dias. Mesmo na minha própria prisão. Eu juro.

– Alax Jr.