EU TÔ INDO EMBORA. TODO MINUTO.

Na verdade mesmo. Eu tenho uma doença. Uma doença na mente.
Não é algo que eu quis. Não é algo que escolhi ou manipulei, e na realidade eu nem sei como eu vim parar aqui.
Estranho que eu sempre achei tudo isso besteira.
Tá me desculpa. Eu era um desses.
Eu era até que eu me vi nessa situação de ter que lutar contra mim mesmo.
Pois é.
Borderline.
E a sua? Qual é?
Não. Não é um autodiagnostico.
É algo acompanhado por profissionais.
Por pessoas que estudaram pra isso.
É algo mais real do que eu queria.
Eu nunca tinha ouvido falar sobre isso.
Engraçado que eu sempre gostei de estudar essas coisas. De ouvir as pessoas. De tentar entender.
Mas quando é com a gente é diferente né?
Mas tá tudo bem me disseram… você só precisa se controlar.
Realmente. Eu preciso. Eu preciso me controlar.
Todo dia.
Se eu não quiser machucar as pessoas que eu gosto… machucar com a minha ausência pra sempre… eu preciso mesmo me controlar.
E sabe. Tá tudo bem. A minha família. Todos estão bem. E eu juro que eu sou grato por isso.
Muito.
Mas até saber disso. Saber que tá tudo bem as vezes é difícil. Minha mente me engana.
Eu sou um escritor. Mas eu nem sei mais o que eu tô fazendo.
As vezes eu nunca sei.
Mas isso é bom. Quase nunca. Mas é.
Sei que você também tem seus monstros.
Sei que você tá lutando todo dia contra isso.
Parece que é só isso né.
Lutar todo dia.
E cansa.
Levar o inferno dentro da mente, querer se desfazer dele e entender que não.
Essa opção não existe. Cansa.
Aí eu sumo.
Pra sobreviver.
As vezes eu só quero ser importante pra alguém entende? Mas brigar por isso faz com que muitas vezes eu perca todo mundo, e apesar de muita coisa que eu faço ser por isso, quase sempre não tem ligação com sexo, dinheiro, coisas materiais. É tudo ligado ao emocional. Eu sou um viciado nas emoções fortes. Naquilo que me prova que é real.
E A todo tempo eu tô procurando por isso.
Ser real.
As vezes parece que não sou.
Real pra ninguém.
Eu só quero ter certeza que não vão me abandonar. Que não vão embora da minha vida ou que eu tenho alguém que se preocupa comigo.
Eu sei é besteira. Mas eu sou assim. E ser assim dói.
Faz a gente fazer coisas exageradas só pra ter alguém do lado. Só pra ser aceito. Pra não ser esquecido.
O tempo inteiro eu tô lutando. Lutando contra paranoias. Contra mim. Contra a morte.
Todo minuto. Eu luto pra ficar aqui. E a todo tempo eu tenho pensamento “errados” na cabeça.
É a minha mãe que sem saber, me salva todo santo dia. Só por existir.
Sabe.
Não sou pessimista.
Tem muita coisa boa aqui.
Eu sou o melhor amigo que qualquer pessoa nesse mundo poderia ter. Mas as vezes meus próprios amigos não sabem disso.
Eu sou a Pessoa mais confiável que eu já conheci nesse mundo.
Eu consigo entender as dores alheias. Só de olhar o olhar de alguém.
Uma empatia que me assusta.
Eu sei das coisas.
Sei das pessoas. E aí eu escrevo.
Quando tô feliz. A minha felicidade é grande. Maior que o normal.
Eu não minto pras pessoas que amo.
Quando eu gosto. EU gosto mais que tudo no mundo.
Quando eu sou. Eu sou, sem mentiras. Sem traições.
E quando eu sinto. Eu sinto de verdade. Sinto mais que o necessário. Como se meu controle estivesse falho.
Sinto a mais.
É aí que eu me perco.
Sempre.
Mas nada disso faz diferença.
Parece que tem um pedaço faltando no meu peito.
Um vazio mesmo. Um vazio que grita todo dia.
Sério.
Não importa o que eu to fazendo.
Tem um vazio ali no meu peito.
Um remorso. Um luto. Uma dor.
E isso piora quando eu reparo em mim mesmo.
Mas não Pense que Deus me deixou.
Não.
Nesse momento mesmo ele tá comigo. Aqui
Sendo contra meus pensamentos sombrios.
Contra decisões que me levariam ao fim.
Ele tá aqui.
Ele sempre tá.
E ainda se eu não for ambicioso ou egoísta demais, ele sempre dá o que eu peço.
Sempre.
Mas acho que não pode me curar disso.
Como se eu precisasse ser exatamente assim pra cumprir uma história que só poderia ser escrita por alguém que é dessa forma.
Mas ele me ama. Eu amo ele.
Ele é meu amigo. alguém que eu não preciso desconfiar.
Eu não quero fazer desse texto algo triste, então eu não vou falar muito da parte ruim.
Da parte que eu sei que um dia vai me levar embora.
Eu só quero desabafar.
Hoje.
Porque eu tô sentindo que não tenho ninguém.
Nem a mim mesmo.
E isso é mentira.
Conscientemente eu sei.
Mas não é só de consciência que se vive as minhas emoções.
Antes fosse.
Eu tô indo embora.
Devagar.
E eu ainda tô brigando. Comigo. Com minha família. Com meus amigos.
Me desculpem.
Eu só quero me sentir real.
Sentir que sou real.
Importante pra alguém.
Mas eu prometo.
É só por enquanto.
Só por um tempo.
Eu sou uma pessoa difícil sim.
Mas meu amor exagerado é real.
Mesmo que isso pareça doença.
É real.
Minha lealdade é real.
Minha amizade.
Minha companhia.
E Eu não quero nada em troca além do que você é.
Sua pessoa. Sem mentiras. Sem jogos.
Só isso.
Me perdoe.
Isso é só por enquanto.
Prometo.
Agora eu vou sair.
Beber um pouco.
Conversar.
Tentar me sentir real.
Quanto a você.
Bem…
Se precisar conversar. Eu sei te ouvir.
Se quiser um amigo. Eu sei ser.
Se precisar se sentir importante. Eu posso te provar que você é.
Então… Eu tô aqui.
Mesmo que em fragmentos.
Eu vou fazer o melhor que puder pra ser alguém se você precisar.
Mesmo que eu não me sinta assim. Alguém. Real.
Importante.

– Alax Jr.

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